terça-feira, 2 de junho de 2009

"O fazer e contar de Ana Luisa Lacombe"

"Atriz usa lixo reaproveitável para contar histórias e encantar o público. E tudo feito por ela mesmo"

Cristiane Rogerio



“Faz e conta. Este é o nome do site de Ana Luisa Lacombe e é uma espécie de "jeito mágico de contar histórias". Como ela mesma diz nesse vídeo, é uma síntese de tudo que Ana fez em sua carreira que já completa 28 anos. Vinda do teatro musical, lá desenvolveu além do trabalho como atriz uma facilidade incrível para criar figurinos e adereços. Assim, quando decidiu unir seus talentos e começar a contar histórias, o resultado foi um trabalho difícil de as crianças (e pais, claro) esquecerem.

Neste vídeo ela conta que, pela sua infância, seu destino era algo quase traçado. Além da mãe que contava histórias sempre e vivia promovendo seções de "fazer arte" em casa, Ana Luisa tinha um tio-avô que, hoje, seria uma espécie de símbolo de campanhas ecológicas e brincadeiras. Como você verá nas cenas, qualquer tipo de lata virava arte nas mãos dele: carrinhos, bonecas e até um circo ganhou forma.

Como herdou isso da família, basta Ana olhar para algo que vê uma transformação. Na casa dela, revistas se transformam em decoração até de fichários de telefone. Quase nada ali está "como nasceu". E, segundo ela, fazer alguma "arte" antes de contar a história é um maravilhoso momento entre as crianças e os pais e uma forma de afeto e proteção. "Por mais que a gente tenha hoje tudo à mão, não tem nada como algo feito pela gente. A interação com pai e a mãe, construindo, a coisa que é perigosa tem um 'deixa que eu faço', esta proteção que aprofunda a relação".”

Extraído do site:
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI73407-15548,00.html

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Chega de Saudade

Música: Chega de Saudade

Composição: Tom Jobim e Vinícius

Interpretação: João Gilberto.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O casulo e a borboleta

A borboleta traz consigo o símbolo da transformação, por isso falar sobre casulos e borboletas é falar de transformação, é falar de buscas, de rompimento, encontro, morte, nascimento e renascimento. Um renascimento diário e constante.

Para sair do casulo é necessário assumir riscos. Dentro dele há uma falsa impressão de proteção, ele só é importante durante um determinado tempo, depois passa a ser um lugar de fobias, de ansiedades, sair ou não sair dele se torna a grande questão, o que há além dele? Só se saberá quando dele sair.

Enquanto não se rompe o casulo passamos por momentos doloridos, difíceis, cheio de dúvidas e quando o desejo de transformação nos cutuca a alma, o único jeito é romper o que nos prende e arriscar, mergulhando no desconhecido, contemplando novos ares, outros perigos, arriscar-se!

Depois de rompido o casulo o que há são desafios, outras dores e alegrias a colher e a conquistar. Esses são os desafios que nos fazem crescer, que nos fazem realmente VIVER. Quando a opção é pelo rompimento dele (porque posso passar uma vida inteira dentro de um mesmo casulo), é necessário aprender a viver cada momento da vida, aprender a explorar cada vôo, cada flor, cada cheiro, cada lugar, aprender com o inesperado, com a natureza, com as tempestades e ventanias como também com o ar fresco de uma tarde de primavera.

Sair ou permanecer dentro dele? Estou optando por sair e por arriscar-me, tudo é muito difícil e mais difícil do que enfrentar o inesperado é aprender a lidar com a ansiedade, tranqüilizar a alma e o coração para que seja possível visualizar a beleza de cada encontro, de cada olhar, de cada cheiro...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Parto Domiciliar

Há pouco tempo uma amiga optou por ter sua filhinha em casa. A princípio achei corajoso e estranhei bastante sua decisão. Ao saber de seu parto e de como foi fiquei curiosa a respeito e comecei a fazer uma série de pesquisas pela internet. Ao pesquisar encontrei uma série de sites, que aliás tem link através desse blog, e vídeos falando sobre parto humanizado, parto normal e domiciliar e encontrei um grande número de mulheres, médicos e especialistas que trabalham na defesa do parto domiciliar, divulgando informações, desmistificando mitos e formando grupos de apoio.
A partir daí, passei a refletir e pensar sobre minha relação com meu corpo e com a possibilidade de gerar uma criança, comecei a enxergar o parto como algo muito natural e que nosso corpo está preparado para isso, sem precisar de intervenções desnecessárias para que o nascimento aconteça.
Gostaria de compartilhar através desse espaço algumas informações e reflexões acerca desse assunto e possibilitar que mais pessoas conheçam esse processo e possam ter direito de fazer suas escolhas com o máximo de informação possível.
Abaixo, segue um vídeo- reportagem de Vanessa Peres, aluna de Jornalismo da Puc-Campinas para o programa Espelho Urbano. A matéria foi realizada com profissionais do grupo de Parto Alternativo do CAISM/UNICAMP.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"Era Deus, agora é a Tecnologia"

"Eu desejaria poder ter mais escolhas. Não entendo porque o ser humano evolui, evolui, e não pode ampliar seu leque de possibilidades.

Um exemplo: antigamente, as famílias tinham que ter quantos filhos Deus mandasse. Era obrigatório. O sexo estava completamente ligado à reprodução humana.

Daí, surgiram os métodos anticoncepcionais. OBA!! Todos podem viver sua sexualidade como bem entenderem! Estamos mais livres!

E, o que aconteceu em seguida? As escolhas de ontem ficaram definitivamente canceladas. Uma mulher que hoje desejar ter "quantos filhos Deus mandar" será uma louca irresponsável. A mulher que não escolhe trabalhar fora para poder ficar mais tempo com os filhos é uma acomodada. E assim, se antes não tínhamos escolha quanto ao modo de viver nossas vidas, hoje também não temos. Continuamos sendo coagidos e forçados, mas desta vez por um determinismo social.

Outro exemplo: o parto existe, desde que o mundo existe. Daí, a medicina resolve estudar e auxiliar o parto das mulheres. OBA! Que alegria! Mulheres que antes não podiam naturalmente ter filhos, vêem surgir uma nova esperança. Mulheres que teriam problemas graves no seu parto têm a possibilidade de uma cesárea necessária...

Mas o que vem em seguida? De novo, o que era uma alternativa de liberdade vai aos poucos se tornando a última regra possível: se a mulher quer ter seu filho em casa, é maluca. Chamada de "corajosa" naquele tom pejorativo que nós tão bem conhecemos.

E uma unanimidade mundial diz que as tecnologias todas assumiram o lugar que antes era ocupado por Deus na nossa cultura, (com as vantagens e desvantagens que tinha antes). Hoje, continua sendo um pecado mortal "comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que te torna igual a Deus..." Por exemplo, como nós, "apenas mulheres", (rs) queremos questionar a real necessidade da episiotomia, da posição vertical, da ocitocina??...

Somos agora novas Evas, pecadoras que levamos nossos homens a pecar conosco. Rapidamente, somos expulsas do paraíso da segurança e docilidade, e assumimos os riscos de uma vida de verdade, dinâmica, que vale a pena ser vivida.

Imagino minha filha, daqui a 20 anos, tentando conceber o filho de maneira natural através do sexo. Imagino que ela também será uma louca, e os argumentos serão os mesmos de hoje: Para que arriscar? Se temos tecnologias, por quê não usá-las? Você pode pegar um espermatozóide perfeito, com um óvulo perfeito, e estará "livrando" seu filho da síndrome de Down e de outras doenças genéticas e cromossômicas. É muito mais seguro!!! Não é o modo de concepção que faz a mãe... Ninguém é menos mãe porque não concebeu seu filho através do sexo...

E, mais adiante, quando minha neta fizer o filho no laboratório, talvez teime em gestá-lo, e aí ouvirá: "O que? Manter o seu filho 9 meses na barriga? Para que arriscar? Se temos tecnologias, por quê não usá-las?

Imagine se você pegar rubéola nos três primeiros meses de gravidez! Seu filho terá sérios problemas, é isso que você quer com sua teimosia irresponsável? A máquina de gestação de bebês é muito mais segura, livre de contaminação e bactérias... Não é levar na barriga que faz alguém mais mãe ou menos mãe. E então, algum dia, como no Admirável Mundo Novo, nós já seremos completamente dispensáveis...

Sei que não é a concepção que faz uma mãe. Sei que não é o tipo de parto, ou o tempo de barriga. Mas sei que isso é uma totalidade, que, salvo em ocasiões especiais, deve ser mantida íntegra. Para que o mundo não se esqueça de como é naturalmente. Para que a tecnologia não nos torne obsoletas, e o mundo não se esqueça dos seres humanos que todos somos. Para que nós mesmas tenhamos preservada nossa identidade de mães e mulheres.

E que ironia, tudo o que eu queria, e quero desde o começo, é poder ter mais possibilidades de escolha, entendendo, numa consciência crítica e cidadã, que nada pode ser autoritariamente considerado melhor pelo único e simples fato de ser mais atual."
Professora

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Todas as vidas


Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum.
Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso d'água e sabão.
Rodilha de pano, trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de São Caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa, de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
Enxerto de terra,
trabalhadeira, madrugadeira,
analfabeta, de pé no chão.
Bem parideira, bem criadeira.
Seus doze filhos, seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada, tão murmurada...
Fingindo ser alegre seu triste fado.

Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida
- a vida mera das obscuras!

Cora Coralina